O ADEUS DE UM GIGANTE
A matéria destes ensaios é o próprio Cristopher Hitchens, um dos grandes polemistas deste século. Inglês radicado nos Estados Unidos, ele era um intelectual engajado na luta contra o fanatismo religioso e pela difusão da ciência e da razão. Para Graydon Carter, editor da revista Vanity Fair, Hitchens foi um homem de "apetites insaciáveis - por cigarros, por scoth, por companhia, por grandes textos e, acima de tudo, por conversa".
Nesta autobiografia, Hitchens comenta seus últimos meses de vida, após ter sido diagnosticado com câncer de esôfago. A experiência de morrer lentamente, enquanto se submete a operações médicas invasivas, algumas das quais inovadoras (como a radiação de prótons), o faz questionar velhos princípios e refletir sobre a própria vida. Entretanto, ele não se entrega à autopiedade nem abre mão de seu ateísmo, apesar dos apelos de religiosos e das campanhas de oração que, sem êxito, tentam persuadi-lo a se converter.
Em resposta a uma fração desses apelos (que insiste nas punições divinas), Hitchens escreve, com notável sarcasmo: "Imaginar que eu descarte os princípios que sustentei por toda a vida na esperança de conseguir favores no último minuto? (...) o deus que iria recompensar covardia e desonestidade e punir dúvida irreconciliável está entre os muitos deuses em que (nos quais?) não acredito."

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