UM FILHO RENEGADO
Desde sua primeira publicação, em 1818, Frankenstein já foi editado em vários países e traduzido para diversas línguas. Pioneira no gênero horror, a obra de Mary Shelley resistiu à passagem do tempo, recebendo diferentes versões no teatro, no cinema, no rádio e nas histórias em quadrinhos.
Trata-se da história do estranho ser concebido pelas mãos de um químico, o Dr. Frankenstein. Formada de partes de corpos humanos e animais, essa criatura deveria ser, na visão do cientista, o rebento de uma nova espécie, cujos seres puros e felizes povoariam toda a Terra. Obcecado por essa ideia, Frankenstein trabalha dia após dia, sem descanso, na confecção do novo ser. Este, porém, acaba sendo renegado por seu próprio criador, que, arrependido, foge do monstro.
Relembrando seu árduo trabalho, o químico diz, anos depois, a um marujo: "Quem conceberá os horrores da minha labuta secreta, enquanto me envolvia na umidade dos sepulcros, ou esquartejava o animal vivo para aproveitar-lhe o sopro de vida na recomposição da minha criatura? Meus membros agora tremem e meus olhos nadam com a lembrança, mas então um impulso irresistível, e quase frenético, me fazia prosseguir. Eu parecia ter perdido a alma e tinha chegado ao ponto de alijar de mim qualquer sensação, a não ser em função da minha obra."

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