UMA VIAGEM PELA AMÉRICA DO SUL
Este livro é o relato de um mochileiro. Em 1952, Ernesto Che Guevara, então com 32 anos, e seu amigo Alberto Granado empreenderam uma longa viagem pela América do Sul, a qual durou nove meses. Depois de saírem da Argentina, em dezembro de 1951, passando pela costa e pela região central do país, eles atravessaram o Chile, em direção ao norte, passando depois pelo Peru e pela Colômbia até chegarem a Caracas, a capital venezuelana, em julho de 1952.
Com uma prosa leve e descontraída, Guevara tece suas impressões sobre tudo o que vê e sente. Se, por um lado, ele não deixa de comentar as alegrias e os percalços da viagem, descrevendo situações, lugares e pessoas de todo tipo, por outro, volta-se para questões sociais e culturais, notando, por exemplo, a tristeza dos mineiros de La Oroya, uma cidade fabril do Peru, e a desolação dos índios Aimarás, alguns dos quais "dão a impressão de continuar vivendo simplesmente porque este é um hábito do qual não conseguem se livrar". Atento à atmosfera política da região, ele também se arrisca a fazer prognósticos. Sobre os candidatos à presidência do Chile, por exemplo, faz uma previsão certeira ao apontar Carlos Ibañez, um militar aposentado, cuja base de poder era o Partido Popular Socialista, como "o vencedor mais provável".
À medida que o itinerário vai se aproximando do fim, o relato torna-se exaustivo e maçante, com algumas descrições meticulosas de cidades, como Lima e Cuzco. É preciso lembrar, porém, que Guevara não teve a pretensão de criar um romance ou "conto de aventuras", como ele próprio afirma. O texto, reescrito a partir das notas de seu diário, é "apenas o pedaço de duas vidas que correram paralelas por algum tempo, com aspirações em comum e sonhos parecidos".

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